quinta-feira, 3 de março de 2016

Em 2015, PIB cai 3,8% e totaliza R$ 5,9 trilhões.




     Na data de hoje, 03/03/2016 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE divulgou um dos mais importantes indicadores econômicos referente ao ano de 2015, o PIB (Produto Interno Bruto). E, como já era de se esperar, a "soma das riquezas geradas pelo nosso país" no ano supracitado foi negativa em relação ao ano anterior; na verdade, ela foi a pior desde o início da mensuração da série histórica, iniciada em 1996. 

     Este resultado é preocupante, porém já era esperado. Foi notório que a economia iria passar por maus momentos ano passado e que se perpetuaria a este ano. Com todos estes "vieses" políticos, a economia é uma das mais afetadas e balançadas levando em conta tamanha desorganização.

     Alguns números são importantes frisar, para que, de alguma forma, possa servir de alerta para os períodos vindouros. Desfragmentando o PIB, os resultados dos três grandes setores da economia: Agropecuária , Indústria e Serviços foram de 1,8%, -6,2% e -2,7% respectivamente. É notório que o único setor que apresentou uma taxa de crescimento positiva foi a agropecuária - e isso é muito importante, pois é um setor que foi essencial para a não ocorrência de um agravamento ainda pior dessa situação e o principal exportador

     Porém os outros dois setores são preocupantes. A indústria apresentou a pior taxa de crescimento (-6,2%), com um valor corrente de R$ 1.149,4 bilhões. Sabemos que o Brasil não é um país industrializado (se comparado as grandes nações industrializadas), mas o produto manufaturado é fonte de grande riqueza, tendo em vista a agregação de valor que este possui, principalmente a fomentação que o setor traz para a inovação e tecnologia do país. A indústria é fonte dos melhores salários dentre estes três setores, assim como também, geralmente, são as que têm maior porte (geralmente são médias e grandes empresas). 

     Já no que diz respeito ao setor de serviços, o valor corrente de 2015 foi de R$ 3.642, 3 bilhões, -2,7% em relação ao ano anterior. A importância deste setor é que possui a maior empregabilidade, nele está presente as micro e pequenas empresas que são as responsáveis pelas taxas de crescimento no saldo de emprego do país. Entretanto, são as que pagam menos como salário ( por se tratar de micro e pequenas empresas, não possuem margem de lucro elevada para que possam investir e crescer ao ponto de pagar salários altos). 

     Com essas taxas de crescimento negativas, temos em dois importantes setores, responsáveis por uma grande parcela da geração de emprego, um imenso obstáculo para a retomada do crescimento econômico do país. 

     As expectativas dos empresários e consumidores estão afetadas, esta afirmativa é evidenciado pelos resultados negativos das taxas de crescimento da FBCF (taxa de investimento) e do consumo das famílias: -14,1% e -4% respectivamente. Neste cenário, não há perspectiva ao empresariado em produzir e nem tão pouco do trabalhador em adquirir bens, tendo em vista a incerteza existente sobre a situação financeira do país. 



PERÍODO DE COMPARAÇÃO
INDICADORES
PIB
AGROPEC
INDUS
SERV
FBCF
CONS. FAM
CONS. GOV
Trimestre / trimestreimediatamente anterior (c/ ajuste sazonal)
-1,4%
2,9%
-1,4%
-1,4%
-4,9%
-1,3%
-2,9%
Trimestre / mesmo trimestre do ano anterior (s/ ajuste sazonal)
-5,9%
0,6%
-8,0%
-4,4%
-18,5%
-6,8%
-2,9%
Acumulado no ano / mesmo período do ano anterior (s/ ajuste sazonal)
-3,8%
1,8%
-6,2%
-2,7%
-14,1%
-4,0%
-1,0%
Valores correntes no trimestre (R$)
1.531,6 bilhões
49,2 bilhões
295,2 bilhões
969,2 bilhões
256,8 bilhões
976,8 bilhões
342,8 bilhões
Valores correntes no ano de 2015 (R$)
5.904,3 bilhões
263,6 bilhões
1.149,4 bilhões
3.642,3 bilhões
1.072,5 bilhões
3.741,9 bilhões
1.192,4 bilhões
Fonte: IBGE  

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

"Pedaladas fiscais", o que ser isto?


     Muitos se posicionam #NãoVaiTerGolpe, outros se mobilizam com #ImpeachmentJá, porém poucos destes conhecem a verdadeira causa deste alvoroço todo.

     No segundo dia do mês de janeiro do respectivo ano, o presidente da câmara dos deputados, Eduardo Cunha, autorizou o pedido de impeachment da presidente Dilma Roussef. Um dos maiores argumentos apresentados para consolidação de tal ato foi o descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, em seu artigo 36, que proíbe bancos públicos de financiarem gastos do governo. 

      Diretamente, nenhum banco financiou o governo em 2014 - ano a qual se apresentou as indevidas "pedaladas"; porém, indiretamente se pode dizer que sim. Em exemplos simples, os benefícios socias e previdenciários do governo federal ( Bolsa Família, abono salarial e seguro desemprego), assim como subsídio agrícola entre outros. Estes são pagos pela União e os bancos públicos são os intermediadores. Entretanto, ano retrasado, os bancos não receberam da União, porém efetivaram esses pagamentos à população.

     Este deficit que o governo federal adquiriu junto aos bancos públicos (e privados também) deveriam ser pagos no decorrido ano, porém isto não ocorreu. Bem, o pagamento desta dívida não ocorreu para que as contas do governo não ficasse negativas ao final de 2014. É como se você (governo) pegasse dinheiro emprestado com sua mãe (bancos públicos) - que não vai te cobrar juros e é "da família - para mostrar para todos do seu vínculo social (população brasileira) que você está bem financeiramente.

     Esta articulação (a bendita "pedalada fiscal"), de não pagar aos bancos públicos para "maquiar" as contas é entendida como financiamento, já que os bancos estão assumindo uma obrigação financeira que é da União.

     Portanto meus queridos leitores, esta é a pedalada fiscal; a mesma é uma infração jurídica-orçamentária no que diz respeito a Lei de Responsabilidade Fiscal, porém o que pode analisar mais à frente, é se há efetivação do cumprimento dessas normas em todas as esferas governamentais.