Na data de hoje, 03/03/2016 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE divulgou um dos mais importantes indicadores econômicos referente ao ano de 2015, o PIB (Produto Interno Bruto). E, como já era de se esperar, a "soma das riquezas geradas pelo nosso país" no ano supracitado foi negativa em relação ao ano anterior; na verdade, ela foi a pior desde o início da mensuração da série histórica, iniciada em 1996.
Este resultado é preocupante, porém já era esperado. Foi notório que a economia iria passar por maus momentos ano passado e que se perpetuaria a este ano. Com todos estes "vieses" políticos, a economia é uma das mais afetadas e balançadas levando em conta tamanha desorganização.
Alguns números são importantes frisar, para que, de alguma forma, possa servir de alerta para os períodos vindouros. Desfragmentando o PIB, os resultados dos três grandes setores da economia: Agropecuária , Indústria e Serviços foram de 1,8%, -6,2% e -2,7% respectivamente. É notório que o único setor que apresentou uma taxa de crescimento positiva foi a agropecuária - e isso é muito importante, pois é um setor que foi essencial para a não ocorrência de um agravamento ainda pior dessa situação e o principal exportador.
Porém os outros dois setores são preocupantes. A indústria apresentou a pior taxa de crescimento (-6,2%), com um valor corrente de R$ 1.149,4 bilhões. Sabemos que o Brasil não é um país industrializado (se comparado as grandes nações industrializadas), mas o produto manufaturado é fonte de grande riqueza, tendo em vista a agregação de valor que este possui, principalmente a fomentação que o setor traz para a inovação e tecnologia do país. A indústria é fonte dos melhores salários dentre estes três setores, assim como também, geralmente, são as que têm maior porte (geralmente são médias e grandes empresas).
Já no que diz respeito ao setor de serviços, o valor corrente de 2015 foi de R$ 3.642, 3 bilhões, -2,7% em relação ao ano anterior. A importância deste setor é que possui a maior empregabilidade, nele está presente as micro e pequenas empresas que são as responsáveis pelas taxas de crescimento no saldo de emprego do país. Entretanto, são as que pagam menos como salário ( por se tratar de micro e pequenas empresas, não possuem margem de lucro elevada para que possam investir e crescer ao ponto de pagar salários altos).
Com essas taxas de crescimento negativas, temos em dois importantes setores, responsáveis por uma grande parcela da geração de emprego, um imenso obstáculo para a retomada do crescimento econômico do país.
As expectativas dos empresários e consumidores estão afetadas, esta afirmativa é evidenciado pelos resultados negativos das taxas de crescimento da FBCF (taxa de investimento) e do consumo das famílias: -14,1% e -4% respectivamente. Neste cenário, não há perspectiva ao empresariado em produzir e nem tão pouco do trabalhador em adquirir bens, tendo em vista a incerteza existente sobre a situação financeira do país.
PERÍODO DE COMPARAÇÃO |
INDICADORES
| ||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|
PIB
|
AGROPEC
|
INDUS
|
SERV
|
FBCF
|
CONS. FAM
|
CONS. GOV
| |
Trimestre / trimestreimediatamente anterior (c/ ajuste sazonal)
|
-1,4%
|
2,9%
|
-1,4%
|
-1,4%
|
-4,9%
|
-1,3%
|
-2,9%
|
Trimestre / mesmo trimestre do ano anterior (s/ ajuste sazonal)
|
-5,9%
|
0,6%
|
-8,0%
|
-4,4%
|
-18,5%
|
-6,8%
|
-2,9%
|
Acumulado no ano / mesmo período do ano anterior (s/ ajuste sazonal)
|
-3,8%
|
1,8%
|
-6,2%
|
-2,7%
|
-14,1%
|
-4,0%
|
-1,0%
|
Valores correntes no trimestre (R$)
|
1.531,6 bilhões
|
49,2 bilhões
|
295,2 bilhões
|
969,2 bilhões
|
256,8 bilhões
|
976,8 bilhões
|
342,8 bilhões
|
Valores correntes no ano de 2015 (R$)
|
5.904,3 bilhões
|
263,6 bilhões
|
1.149,4 bilhões
|
3.642,3 bilhões
|
1.072,5 bilhões
|
3.741,9 bilhões
|
1.192,4 bilhões
|
Fonte: IBGE